O Ano do Dragão

Atualizado em: 24/01/2012 - 09:10

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Começou nesta segunda-feira, dia 23 de janeiro, o Ano do Dragão no calendário chinês, um ano em que, segundo os estudiosos do tema, seremos brindados com a possibilidade de vivermos novas experiências e mudanças políticas, exacerbação de autoritarismo e preocupações econômicas e sociais que vão exercitar ao limite a capacidade humana de se adaptar e buscar o entendimento e a paz.

Eu não acredito em horóscopo, mas decidi abrir assim o texto para poder falar de algo que me preocupa faz tempo e está diretamente ligado a esse espetacular e misterioso país, a China.

Todos nós acompanhamos a situação dramática que os Estados Unidos e vários países da Europa estão vivendo desde aquele estrago patrocinado pelo banco americano Lehman Brothers em 2008 que se transformou num dos melhores exemplos de “efeito dominó” já vistos pela raça humana.

Enquanto as maiores economias mundiais amargavam desaceleração e seus governantes atribuíam uns aos outros a culpa por tanta lambança, a China continuava sua escalada de crescimento apresentando números impressionantes, ainda que menores em relação a períodos anteriores.

Entre 2008 e 2010, segundo seus dados oficiais, a China cresceu sempre a taxas acima de 9% e agora em 2011, de acordo com os números divulgados pela Administração Nacional de Estatísticas da China semana passada, o crescimento do PIB foi de 9,2%, resultado acima das expectativas, ainda que fortemente impactado pela situação econômica da Europa e Estados Unidos.

Qualquer um de nós sabe que o governo de um país tem a possibilidade de manipular os dados de qualquer natureza para atender as suas necessidades, vide o que está ocorrendo agora na Argentina que foi obrigada pelo FMI a normalizar seu sistema de pesquisas oficiais, porque os seus dados nem de longe “conversam” com os dados divulgados pelas consultorias privadas, mas segundo alguns estudiosos da economia chinesa a coisa por lá, em matéria de dados estatísticos, está digna de muita atenção.

A bem da verdade é preciso mencionar que não importa para onde você vá nesse mundão de Deus, vai acabar comprando uma lembrancinha “made in China”, ou seja, o mundo inteiro ainda compra avidamente o que se produz na China, mas até quando? E até quando a China vai continuar comprando no mesmo volume, o petróleo e as commodities que ainda movimentam os mercados financeiros e “dão uma força” aos emergentes como nós?

Apesar dos discursos governamentais a situação ainda está feia e não estamos livres de uma situação como aquela que vivemos em 2008. Sabemos que os discursos são importantes para que o dinheiro continue a fazer o seu papel, ou seja, gerar mais dinheiro para aqueles que o tem e, por isso mesmo, é bom ter cuidado com o conteúdo dos discursos.

Em 2012 ainda vamos ter muitos desdobramentos de toda essa crise e é possível que a coisa toda engrosse um pouco mais. Assim, é bom ser prudente e cuidadoso, esperando pelo melhor, mas se preparando para o pior, principalmente nós, que fazemos parte da turma que não tem dinheiro para ficar arriscando.

Depois das profecias Maias para 2012, definitivamente, não precisamos de um dragão enfurecido solto por aí.

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Comentários

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  • 24/01/2012 - 11:55 - Ehrad

    País sem igual na face da Terra, socialista pra dentro e capitalista pra fora. Quando eu comecei a estudar mandarim a 5 anos atrás riram de mim, agora todo mundo arregala os olhos (e eu aperto). Povo disciplinado e funcional, coisa que ainda não aprendemos por aqui. Abraços!